Com o confinamento mesmo uma ida ao supermercado deixou de ser banal.
Para começar, limitaram o número de pessoas que poderiam estar simultaneamente no seu interior e para isso determinaram que só haveria uma entrada e uma saída abertas ao público, medidas que levaram à formação duma fila única que ocupava os 50 metros do lado Norte do edifício.
À chegada, por volta das 11:30, lembrei-me do coeficiente de cagaço usado na Engenharia e estacionei o meu carrinho de compras a mais de 1,5 metros da última pessoa da fila, ficando no canto Norte/Oeste. Esta posição permitia-me ficar ao Sol enquanto que à minha frente uma dúzia de pessoas tinham abandonado os seus carrinhos para saírem da sombra e assim fugirem do frio. Quando o segurança abriu as portas do supermercado vi uma cena que parecia ter saído das antigas 24 Horas de Le Mans.
"Não devo ter medo. O medo é o destruidor da mente. O medo é a pequena morte que traz a obliteração completa. Enfrentarei o meu medo. Permitirei que ele passe por mim e através de mim. E quando terminar de passar, virarei o olho interno para ver o seu caminho. Por onde o medo passar, nada haverá. Só eu permanecerei." Frank Herbert - Duna
quarta-feira, 25 de março de 2020
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